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História

A INDÚSTRIA TÊXTIL EM MINAS GERAIS

"Nós, os mineiros, somos historicamente vocacionados para a indústria têxtil. É nosso entendimento que sejamos, os habitantes das Minas Gerais, os melhores tecelões do país". (Miguel Augusto Gonçalves de Souza, "História de Itaúna", vol.I, pág. 115).

Ninguém melhor do que o historiador e industrial, ex-Presidente do Sindicato, Dr. Miguel Augusto Gonçalves de Souza, para narrar os primórdios da atividade têxtil em nosso Estado. Lembra ele que o Tratado de Methuen, celebrado em 1703 entre Portugal e Inglaterra, impediu o desenvolvimento da nascente indústria têxtil em Minas, na medida em que abriu o mercado lusitano - inclusive das suas colônias - para a indústria têxtil inglesa, em troca da introdução do vinho português, inferior ao produzido na França, no mercado inglês. E o ouro mineiro serviu para cobrir o superávit favorável à Inglaterra.

Isso, contudo, não tolheu a disseminação das atividades têxteis caseiras por extensas áreas da capitania, o que veio a incomodar a metrópole e até mesmo a Inglaterra. Informa o Dr. Miguel Augusto:

"Proibiu-se, de início, a exportação direta do algodão, exatamente no momento em que a procura deste insumo, em decorrência dos progressos técnicos ocorridos na Inglaterra, aumentava em progressão geométrica.

Passou-se a penalizar as pequenas fábricas têxteis que surgiram rapidamente, todas elas pequenas, mas que, no seu conjunto, representavam expressiva produção, já fugindo dos modestos limites da economia de subsistência e sua exportação, mesmo para a metrópole, seria seriamente proibida pois desejava-se produzir o tecido lá, com o algodão importado, em regime de monopólio, do Brasil.

Rocas e teares de madeira eram destruídas nas históricas ladeiras de Vila Rica, mas, simultaneamente, outros destes equipamentos eram construídos por hábeis artesãos, em claro desafio ao absolutismo colonial, e crescia a existência de pequenas unidades fabris nos grotões marginais da serra do Espinhaço bem como nas recônditas fazendas localizadas nos sertões e veredas da capitania".
("Capítulos da História Itaunense", 2001, págs. 99/100).

O imperialismo inglês encontrou firme aliado no Ministro Padre Martinho de Mello Castro, inspirador do alvará de 1785, que só permitia a fabricação de panos rústicos para a confecção de roupas a serem usadas pelos escravos.

Nada impediu, contudo, que se intensificasse a atividade têxtil, de tal sorte que, no início do Século XIX, já apresentava relativa prosperidade, com o chamado "pano de Minas", produzido em aldeias e vilas, encontrando mercado em todo o território nacional e, segundo alguns estudiosos informam, até mesmo em Buenos Aires.

Com a vinda da Família Real para o Brasil, em 1808, aquelas restrições foram superadas, porque havia interesse em fortalecer a economia da antiga Colônia, agora parte do Reino Unido. D. João VI chegou mesmo a mandar um mestre fabricante de tecidos para demonstrar, em tear que instalou na residência do Governador de Minas, as possibilidades do fabrico de tecidos na região.

Na época, o cultivo do algodão constituía importante atividade nas Gerais como observaram diversos viajantes ilustres que deixaram registros de suas andanças por estas terras, como Saint Hilaire e John Mawe.

Nas primeiras décadas do século XIX, registram-se tentativas de montagem de fábricas no Estado. Em 1837 surgiu a Companhia Industrial Mineira que, de forma incipiente, chegou a produzir tecido no Cipó e depois no Distrito das Neves, Termo de Sabará, dispondo de três máquinas de "aprontar algodão", vinte e oito fusos para fio grosso e seis teares para colchas de algodão.

No entanto, a primeira fábrica equipada com máquinas mais modernas só veio a ser constituída em 1848, pelos ingleses Pigot e Camberland, em Conceição do Serro - a "Cana do Reino" - que recebeu até ajuda do Governo. Mas, essa experiência não durou 30 anos, sendo vencida pela falta de mão de obra qualificada e pela ociosidade do equipamento.

Nessa época, Antônio Gonçalves da Silva Mascarenhas, que trocara a profissão de "caldeireiro" pela de fazendeiro, construiu a Fazenda São Sebastião, que atingiu notável desenvolvimento. Conta o saudoso industrial Geraldo Magalhães Mascarenhas, que foi Presidente do Sindicato, que "tudo quanto na vida diária era consumido em S. Sebastião, em S. Sebastião era produzido ou fabricado. As próprias roupas usadas pelo fazendeiro e sua família eram confeccionadas com o algodão plantado, fiado, tecido e tinto na fazenda, pois lá havia também 12 teares de pau, manejados pelas escravas" ("Centenário da Fábrica do Cedro", 1972, edição particular, págs. 23/24).

A moderna indústria têxtil mineira só surgiu em 1872, quando a Fábrica do Cedro entrou em operação, em Tabuleiro Grande, município de Sete Lagoas, fruto do espírito empreendedor dos irmãos Bernardo, Caetano e Antônio Cândido Mascarenhas. Em 1885, já existiam na Província 13 fábricas de tecidos. Em 1886 nasceu a Cia. Têxtil Cachoeira de Macacos e em 1891 a Cia. Tecidos Santanense, e, no fim desse século, 29 indústrias têxteis estavam em atividade no Estado. É importante assinalar que, em 1907, "a indústria têxtil mineira era repsonsável por 62,9% do total do capital industrial do Estado, por 40,2% do valor da produção industrial e por 50% do emprego industrial", como observa Miguel Augusto citando trabalho de 1983 apresentado no II Seminário sobre a Economia Mineira (ob. cit., pág. 121).

Nessa mesma década, foram instaladas as fábricas de Biribiri, a de Brumado, em Pitangui, que veio a ser sucedida pela Cia. Industrial Pitanguiense, mais tarde incorporada à Santanense, e a de Machado, inaugurada em 1875.

Ainda no Século XIX, entraram em operação a Fábrica de Tecidos Santa Bárbara e a Cia. Industrial Itabira do Campo, em 1892.

Na centúria seguinte, outras fábricas foram instaladas, destacando-se: a Cia. Industrial Itaunense, em 1911; a Cia. Fabril Mascarenhas, em 1922; a Santa Margarida, em 1923; a Cia. Itabirito Industrial, em 1926. Na década de 1920, 77 fábricas de tecidos estavam em operação em diversos municípios do Estado: Além Paraíba, Alvinópolis, Araçuaí, Barbacena, Cataguases, Curvelo, Diamantina, Itabira, Itabirito, Itajubá, Itaúna, Juiz de Fora, Oliveira, Ouro Preto, São João del-Rei, Uberaba, Sete Lagoas, Paraopeba, Montes Claros, Lavras, Viçosa, Santa Bárbara, Santa Luzia, Pará de Minas, e nos arredores da Capital (Delson Renault, "Chão e Alma de Minas", pág. 22). Posteriormente, outras indústrias entraram em atividade: a Fiação e Tecelagem São José, em 1933; a Cia. Fiação e Tecelagem Divinópolis e a Cia. Têxtil Ferreira Guimarães, em 1937; a Aliança Bondespachense, em 1938; a Cia. Manufatora de Tecidos de Algodão e a Muzambinho Têxtil S/A, em 1943; a Cia. Industrial Estamparia, em 1944; a São Geraldo, em 1947; bem como a Cia. Industrial Cataguazes, a Indústrias Irmãos Peixoto S/A, a Fiação e Tecelagem João Lombardi S/A, a Cia. Têxtil São Joanense, e, mais recentemente, a Têxtil Paculdino, a COTEMINAS, a Horizonte Têxtil, a Tear Têxtil, a Kanebo, a Daiwa do Brasil e outras.

Assim o INDI traça o perfil da indústria têxtil mineira:

Os investimentos em modernização, aliados à maxidesvalorização do real, aumentaram a competitividade da indústria têxtil mineira. Como uma das conseqüências desse processo, as exportações têxteis mineiras apresentaram expressivo crescimento entre os anos de 1997 e 2000, evoluindo de 35,9 para 90,45 milhões de dólares. Contudo, a introdução de máquinas mais modernas reduziu a geração de empregos pelas empresas de fiação, tecelagem, malharia e acabamento. Essas máquinas utilizam menos operadores que as mais antigas, além de serem capazes de gerar maior produção. Assim sendo, o número de empregos gerados diretamente por esses segmentos em Minas Gerais caiu de 28.858, em 1997, para 27.131, em 2000.

Outra decorrência do aumento da competitividade foi o aumento do faturamento bruto que cresceu 65,5% entre os anos de 1997 e 2000, conforme Panorama da Indústria Têxtil de Minas Gerais 1997/2000. Trata-se de um resultado relevante, considerando-se que, nesse período, os preços foram reduzidos devido ao acirramento da concorrência estimulada pela abertura comercial e sobrevalorização do real até o início de 1999.

Contribuiu sobremaneira para o aumento da competitividade o expressivo crescimento de 74,9% em apenas três anos da produtividade. Em 1997, a relação faturamento/empregado foi de R$39.430,00 e em 2000, de R$68.960,00.

No encerramento do exercício de 2001, a expectativa é que o faturamento de 2000 se mantenha, principalmente em razão da crise energética, da variação cambial e das crises na Argentina e nos Estados Unidos.

Segundo a Associação Brasileira de Indústria Têxtil e da Confecção (Abit), a produção têxtil e da moda mineira destaca-se como decisiva para que o País atinja, até 2005, a meta de US$4,3 bilhões em exportações. (fonte: http://www.indi.mg.gov.br/)


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